Horizonte dobrado em quatro

Horizonte. Lugar que o outro habita em mim. Prenúncio. Pressentimento. Iminente. Incerto. Misterioso. 

Em vez de perguntar se algo é real para legitimar essa condição, não poderíamos perguntar se é autêntico? Sincero? Verdadeiramente sentido? Não poderia ser esta uma outra maneira de tornar real aquilo que a imagem mostra?  Horizonte dobrado em quatro apresenta uma ficção visual elaborada a partir das recordações de uma família. O relato imagético narra uma viagem à um local inexistente. As fotografias sinalizam um percurso sem significância aparente e apontam para uma possível reflexão acerca das imprecisões e paradoxos da memória, assim como das ambiguidades próprias da fotografia.  A base de criação e reflexão desta pesquisa parte de uma coleção de fotografias do álbum de família da artista. Em seu método de abordagem Andréa D’Amato vasculha arquivos, amalgama memórias, tangencia aquilo que poderia ser considerado essencial, desencadeia contextos, esgarça o imaginário e elabora um discurso estruturado por deslocamentos. As frases inseridas nas páginas do livro assumem relevância similar as fotos. A fotografias, por sua vez,  transcendem o registro do visível e viabilizam diferentes trajetos de pensamentos entre palavras e imagens. Ao partir de lembranças do real, porém com memórias entrelaçadas, a narrativa de horizonte dobrado em quatro abandona o âmbito familiar e torna-se coletiva.

Horizonte dobrado em quatro  é um projeto de publicação composto por dois cadernos - um de texto e outro de imagens - e um envelope com fotografias. Foi selecionado para a leitura de projetos no encontro de fotolivros  La Fabrica-PhotoEspana. Participou como 'projeto indicado' na exposição de impressos "Tenda Aberta" na Oficina Cultural Oswald de Andrade e do Aeromoto - um intercâmbio de publicações realizado na Cidade do México. 

Proposta de publicação com dois cadernos, um de texto e outro de imagens.

Proposta de publicação com dois cadernos, um de texto e outro de imagens.

Envelope com fotografias, proposta de encarte no caderno de texto.

Envelope com fotografias, proposta de encarte no caderno de texto.

Olhou por trás dos olhos. Sentiu o vento. Fechou a cortina. Dobrou o horizonte em quatro. Juntou alguns apetrechos. Ajeitou dentro da mala. Partiu só para uma viagem sem destino. Levou consigo um invento incrível. A máquina de plasmar o invisível. No dia 29 de maio chegou a Arroio Grande. Foi lá que viu pela primeira vez a imagem de Cristo sem cabeça. Nossa Senhora continuava intacta. Nessa mesma época conheceu Aspásia. Até hoje não sabe se gostava dela ou não. Atravessou linhas imaginárias. Conheceu lugares inexistentes. Visitou ruínas onde moravam certos pensamentos. Ainda se lembra da tarde que caminhou descalço sobre o trópico de capricórnio. Percorreu o infinito. Conquistou dúvidas. Frequentou rochas. Habitou pássaros. Pousou para fotografias. Certa vez o carro em que viajava quebrou em frente a fábrica de drops. Aproveitou o tempo perdido para comer alguns bombocados. Seguiu viagem. Caminhou na sombra. 

 

  HORIZONTE DOBRADO EM QUATRO participou da exposição de publicações TENDA ABERTA, realizada na Oficina Cultural Oswald de Andrade em junho e julho de 2015, com curadoria de Fernanda Grigolin e Paula Borghi.  

 

HORIZONTE DOBRADO EM QUATRO participou da exposição de publicações TENDA ABERTA, realizada na Oficina Cultural Oswald de Andrade em junho e julho de 2015, com curadoria de Fernanda Grigolin e Paula Borghi.